terça-feira, 12 de abril de 2011

- Pró, porque seus olhos "tão" inchados?

(Eu queria dizer a ele que desde o final do mês passado eu tenho chorado todos os dias, que tudo que se planeja na vida não pode ser levado como um fato, queria dizer que lendo Caeiro ontem eu chorei até quase morrer, que de noite choveu, que senta aqui no meu colo e me empresta esses seus ombrinho miúdos e me aperta forte, que vem cá, não faz assim, não vai pra lá, meu coração vai se entregar a tempestade)

- É assim mesmo, Jefinho, é assim mesmo...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ela dirigiu toda manhã a procura daquele sapatinho rosa.
voltou pra casa e almoçou sozinha naquela tarde de terça feira
quis usar o telefone, mas não podia
entrou no quarto grande e na cama sentou à beira

pensou em como chegara ali, em cada momento de sua partida
sonhou um dia deitar naquela cama tão grande que pareciam-lhe duas
quis usar o telefone, mas não podia
lembrou que tarde já estava e que era sua vez de molhar a grama

molhou a grama, olhou a piscina, entrou no carro novamente.
tinha que trazer o motivo mais importante da sua viagem pra casa
era linda. ela olhava aqueles olhinhos azuis como se fossem gudes: a amava.

deitaram as duas ao final da tarde na grama ainda úmida
falaram bobagens, comeram bobagens, sonharam bobagens.
- have a good night sweet heart. have a good dreams.

domingo, 10 de abril de 2011

Coisas sobre Maria

Ela tinha nome de santa, mas naquele dia, Maria, acordou com vontades de falar coisas não tão santificadas

Queria dizer aquele rapaz que conversou apenas uma vez naquela lanchonete, que ele era o amor de sua vida, apenas eles não haviam descoberto.

Queria dizer ao seu pai algumas verdades entaladas em sua garganta há tanto tempo, mas que não se sentia forte o possível para isso.

Queria dizer a sua mãe o quanto ela a amava alguns dias mais e outros menos.

Queria dizer para aquele rapaz que ela ficou naquela festa, que ela tinha ficado só por ficar e que não tinha gostado nem um pouco e que ele, por favor, parasse de achar que aquilo aconteceria outra vez.

Queria dizer a dona da lanchonete o quanto ela era grossa com seus clientes e que eles só não ao deixava por que ela era a única lanchonete da região.

Queria dizer ao seu ex- namorado o quanto ele foi um desperdício de sentimento 
pra vida dela. Mas que ainda assim faria tudo de novo.

Queria dizer a sua empregada que não gosta daquela salada que ela acha uma delicia quando tempera e mistura com a mão, queria dizer a ela que sente nojo de algumas de suas comidas.


Queria dizer ao seu celular que ele era apenas um aparelho em sua vida, não a sua vida por completo.

Queria dizer a si mesma que este dia no qual ela quis dizer tantas coisas, ela apenas sonhou em dizê-las.

Nunca disse.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Escolhas erradas*

Ela tinha apenas 15 anos quando decidiu morar com aquele namorado.
Contrariando a vontade da mãe que dizia que ele não era o cara certo e ela era ainda muito nova. 
Foi mesmo assim. Talvez porque era pobre e ele tinha um computadorzinho com internet, ou talvez porque gostava mesmo dele e ignorava o fato dele ser traficantes de drogas. Saber ela sabia, apenas não se importava.
Morou com ele, continuou estudando, e hoje aos 20, foi contar a mãe com felicidade transbordante que tinha conseguido bolsa pra fazer uma faculdade! Seria a primeira de sua familia a entrar em uma.
Com mesma alegria foi contar ao seu companheiro que não gostou da noticia. Disse que ela iria ficar mais inteligente que ele, disse que ele não suportaria ela sabendo coisas que não sabe, disse que ela tinha tudo naquela favela, que era a mais rica entre as amigas, que ele compraria tudo pra ela, como já vinha fazendo...
Ela apanhou neste dia, por que uso de eufemismo quando escrevo a palavra "disse". Ele gritava elouquecido.
Decidida a desistir de tudo ela recebe outra noticia que ia mudar sua vida! Outra bolsa de estudos! só que dessa fez de inglês e no exterior!
 Tudo que uma garota quer, não? Tudo que ela precisava era pegar suas coisas, voltar pra casa da mãe e esperar que todas as documentações fosse completadas, aí sim, seria uma moça livre. Mas não foi o que ela fez.
Já não podia ir a casa da mãe, ele proibira, e na sua inocência contou mais uma vez ao seu companheiro suas conquitas. Brigaram.

O que esta pra acontecer agora é o desfecho mais inimaginável que existe.

Ele bateu nela, mais do que das outras vezes, ele bateu nela muito, muito mesmo, ele bateu nela até a matar.
Em seguida esquartejou o corpo dela e cortou-lhe a cabeça. O resto do corpo ele queimou.

Foi preso.

Ela fez escolhas erradas, assim como nós que as fazemos todos os dias, só que a ela custou-lhe a vida.
Temos a chance de fazer escolhas certas. Façamos.

* Essa história é baseada em fatos reais.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sem escapatória

Ando de acordo com a banda, sabe?
Sou desses tipo que não sei mudar o rosto se o coração está embaralhado
Porque antes de tudo eu sei quando dei um sorriso amarelo!
Eu sei, eu sempre sei! Eu sei quando meu tom de voz tem cara de bunda
Então é assim: se tu tens cara de bunda, eu tenho também, se me abraças,
abraço mais forte que puder de volta...
Sou daquelas que manda torpedinho no meio da festa perguntando a amiga o que estava fazendo lá, mas a amiga não sabe, não vai te dar as respostas que nem você sabe...E você bem ligou pra ela antes de ir.
Recebo tantas ligações durante o dia que já não palpita mais como antes.
Que meu grito surdo chegue aos seus ouvidos mudos. Mas o pior de tudo é que sou do tipo de pessoa que muda facilmente de opinião por diversas razões que não dá pra discorrer...

conforme a banda toca...


Hoje escrevo coisas sem conexão.
Mas isso não preocupa, aquilo que me preocupa é esse sentimento transgressor
me faz fazer coisas sem sentido...